Thursday, August 31, 2006

Bebo da priula


Acho que a vida deve ser meio chata por aqui. As turma bebem muito. Tá vendo no cantinho da foto, um cara no chão com uma bicicleta? aquilo não foi uma queda simplesmente. Ele caiu, mas, na verdade, tem dificuldades até de se mexer de tão bêbado. E não é primeira vez que vejo isso.Tem muita gente doidona pelo metrô, pela rua, nos parques. Muitas vezes até sem precisar beber, hehe...
A dúvida que resta, segundo Ivan, um amigo meu daqui, é:
No brasil a gente não vê esses doidos porque não há ou porque eles não ficam pela rua?

Wednesday, August 30, 2006

diferenças entre as cidades... Aqui e lá...

Li uma vez, os capítulos de Levi-Strauss, no "Tristes Trópicos", sobre sua chegada no Rio e em São Paulo. Ele dizia que seu sentimento, apesar de todas as diferenças que havia entre aquelas cidades e a Paris dos anos 1920, em que vivia, não foi de tanta surpresa. Não lhe causara impressão aquilo tudo porque, no fim, eram todas cidades com mais ou menos a mesma origem, parte da mesma civilização. Tudo era um pouco parecido com o que já havia visto. Suas primeiras impressões, portanto, jamais poderiam ser comparadas àquelas dos viajantes medievais que se aventuraram no oriente.
Mas claro que havia particularidades. Segundo ele, elas se deviam a uma aparente decadência do casario das cidades brasileiras. Elas lhe lembravam do Marrais, bairro que, se hoje virou um badalado e rico bairro de artistas, naquela época era decadente e pobre. Supunha que a causa disso era que as cidades brasileiras, aparentemente, não eram feitas para durar. Eram feitas em circunstâncias sempre urgentes, de modo que a decadência das suas fachadas era questão de muito pouco tempo. E a vida era de certo modo vivida às pressas, sem uma noção de monumentalidade que dá a impressão de fazer parte de um movimento mais importante da história. Podíamos dizer, mesmo, que a vida brasileira das cidades é, em todos os seus aspectos, uma vida comprada a retalho, como dizia João Cabral.

Bem, acho que ele tinha razão, em grande parte. As cidades se parecem, porque o que se pode fazer, em todas elas, é bem parecido. Vivemos num mundo que se ocidentalizou e em que não há mais diferenças tão absurdas de um lugar para outro. O que as distingue é, sobretudo, a forma como se organizam de acordo com as possibilidades, digamos logo, econômicas de planejar a vida de acordo com certos padrões mínimos de qualidade e conforto e, no longo prazo, de modo mais sustentável, para usar esse vocabulário brega.

As nossas cidades não são construídas considerando que a rua deve ser um ambiente bonito, confortável para a vista e para as pessoas. Tudo é feito, de certa forma, de modo apressado, barato, de modo a apresentar o melhor rendimento, numa luta por quem consegue ocupar mais espaço, ou melhor espaço, importando muito pouco o resultado final para a vida comum. Se olharmos para o centro do recife, para a Avenida Guararapes, para a Conde da Boa Vista, mesmo para o Bairro do Recife, veremos que não há preocupação com a paisagem, com a visibilidade, com o conforto de quem anda. Parece que não podemos nos dar o luxo de uma vida decente de que todos sejam parte. Tudo é arranjado, tudo é gambiarra... Talvez por isso sejamos tão pouco dados a ficar na rua. Ou se está em um carro, em um ônibus, ou se está dentro de algum lugar... Sobretudo a classe média totalmente apartamentalizada de que fazemos parte, que está se acostumando com a superficialidade de uma decoração limpinha e cafona. Às vezes, parece que vivemos em confinamento, quando temos um clima que nos possibilitaria ficar na rua quase o ano inteiro.

Sei que se pode argumentar que essa não é uma questão relevante quando há outras, bem mais urgentes. Entrentanto, esse pode ser apenas mais um sintoma de um déficit de reconhecimento recíproco e igual entre todos os que se encontram em cidades como as brasileiras. Negamos-nos a compartilhar a rua com um tipo de gente que não consideramos gente, e não nos preocupamos com esse espaço, por simplesmente nos abstermos de freqüentá-lo. Não sei se devemos esperar por um desenvolvimento econômico que, sempre acreditamos, virá para criar os espaços públicos comuns de igualdade em que todos sejam um pouco mais felizes, em conjunto. Talvez esses próprios espaços sejam mesmo aquele nó que falta desatar, inclusive, no caminho do desenvolvimento econômico.

Saturday, August 26, 2006



Um pedaço daquele muro no checkpoint charlie... essa porra virou também um shopping center.

sentimento de dever de cachorro de alemão

Mais sobre essa história do sentimento de dever dos alemães. Acho que isso é tão forte aqui que passa até pro cachorro deles. Ontem estava na porta do supermercado esperando um amigo comprar umas coisas e vi outra cena que foi bem engraçada.

O cara foi fazer compras com o cachorro, mas claro que não podia entrar com ele no supermercado. Deixou o bichano solto, na porta da loja, e mandou ele ficar esperando, ali na frente, por ele. Pois que o cara entrou, e passei ainda uns 10 minutos assistindo à cena.

O cachorro completamente transtornado, de tristeza, louco pra entrar no supermercado, mas só olhando pra porta. Aproximava-se dela, atento, olhando se alguém iria notá-lo. Mas de modo algum entrou. Estava completamente livre, podia ter ido aonde quisesse, estava também absolutamente só. Mas ficou lá, por todo o tempo em que observei, dando alguns passos, mas respeitando totalmente a ordem que lhe houvera sido dada.
Hehe.. Até os cachorros aqui devem ter neuroses... putz.

sentimento de dever do alemão

Percebi o quanto os alemães têm um senso de dever diferente do nosso. E me surpreendi por compartilhar de um certo espírito típico brasileiro que nos faz tão suscetíveis ao “jeitinho” malandro e à picaretagem. Coisa que eu desprezo, e quando encontro de alguém procuro sempre evitar. É bom ter essas experiências para que possamos terapeuticamente reavaliar até que ponto devemos continuar ou negar as tradições de onde viemos.
Estava num Biergarten com dois amigos italianos, e um deles pediu algo para comer. O alemão que atendia na barraca apontou para as salsichas assadas e disse que o prato que ele houvera pedido não estaria tão bom, porque já havia assado as salsichas há alguns minutos. Seria melhor ele pedir outro, que ele acabava de preparar...
Bem, tudo certo, um alemão simpático, que sugerira uma opção melhor para o cliente. Porém, as salsichas não pareciam tão mal. E o que mais era estranho era a diferença de preço entre os pratos. Enquanto o que o italiano houvera pedido antes custava 6,50€, o outro custava apenas 1,50€.
Como já havia tomado umas mais de três cervejas, daquelas de 500ml, arrisquei tirar uma brincadeirinha com o alemão, no meu alemão rabujento.
Disse a ele que era tão simpático que virara um mal vendedor... mas tudo num tom de elogio e brincadeira.
Mas ele fechou a cara, deu-me um fora, e perguntou se eu queria alguma coisa, pois ele estava fechando o bar e não podia conversar.
Depois, pensei direitinho. Realmente tinha feito uma ofensa ao sentimento de dever do doideira. Disse a ele, no fundo, que ele deveria ter sido desonesto para faturar em cima do turista... Claro que foi em tom de brincadeira, mas a reação deixou bem claro pra mim o tamanho do sentimento de dever desses caras. É algo impressionante.
Depois disso, acho que é completamente possível não contar o troco dado em moedas por um caixa de supermercado. Esses alemães são confiáveis; acho que desde pequeno são obrigados a introjectar esse sentimento forte de dever que nós temos de modo... hehe... diferente.
Claro que tem corrupção aqui, mas 1º a economia eleitoral tem uma lógica própria mesmo no mundo todo, e 2º quando se trata de muita grana e muito poder, o sentimento pode se tornar relativo. Mas acho difícil que alguém seja corrupto no dia a dia... Isso, claro, ajuda, também, a reduzir a corrupção na política e em todas as esferas da vida pública.
Lembrei então de uma suposta declaração de Lenin. Ele dizia que se houvesse uma revolução na alemanha, seria formada uma fila e seria cobrada entrada para organizar a história toda.

Tuesday, August 15, 2006

revirando-se?



O que iria dizer Kant de ter virado nome de cinema?

Em cartaz: Piratas do Caribe 2.


e centro comercial?

Saturday, August 05, 2006

Novos rumos pra esse pedaço de blog

Retomando esse blog, vou transformá-lo em um diário de viagem. Aproveitando o fato de que estou em Berlin, desde ontem à noite, vou tentar dar motivo pra fazer desse blog, tão eternamente parado, algo um pouco mais vivo.

Bem... Não vai ser fácil, pois que ao mesmo tempo que há pouco tempo, porque é sempre um desperdício de tempo ficar pensando nisso durante o tempo em que poderia estar na rua, ainda há o fato de que é tanta coisa ao mesmo tempo nem sempre me lembrarei das coisas que poderiam caber aqui...


Bem, já em tempo:
Vou tentar falar das impressões que tenho e sobre as coisas por que se vai passando.