quem é o cético? quem é o utopista?
Toda crítica é, em certa medida, idealista. É um olhar por sobre o que é, com vistas ao que pode ser... ela nega o mundo por se incomodar e por querer vê-lo de alguma maneira distinto... Ao pensá-lo de modo diferente, ela já de alguma forma age sobre ele para alterá-lo, o dever de agir que o pensamento engendra, com efeito, já é uma mudança substancial no que cerca o crítico.
Bem, quem critica quer, em suma, algo melhor. Algo que, portanto, não existe, pois que ainda não é. O que vem a ser, sempre é, assim, necessariamente irreal.
Mas se o real é tudo quanto há, se não pode haver algo diferente, que dependa de quem vive, se quem vive é parte do real sem que possa conhecer o que não é, não pode haver qualquer crítica. Pois toda crítica é uma crença absurda na fantasia, uma forma culto, ritual de amor ao intangível.
Coisa de místico, de doidão, por fim.
O idealista é o utopista. Como disse Musil, é aquele que tem, além de senso de realidade, o que é algo sem o que não se vive, senso de possibilidade. Ele imagina o que não é, mesmo vendo o que é, em toda parte. E, por isso, é chamado, muitas vezes, sonhador, idiota ou mesmo, apenas, utopista.
Ele é bem diferente do cético. Esse descrê na crítica e na sua possibilidade. É verdade que não pode nunca deixar de crer no real, os mais perspicazes já perceberam que, se negam o real, perdem sua condição de céticos. Então o que fazem é não se comprometer. Eles tem senso de realidade, mas vêem o que há somente como o que é, e como tudo. Não há melhor; nem pior; só o que há, do que são parte, sem que possam querer algo diferente, que seja exeqüível por sua vontade, isso tudo lhes parece sempre muito idealista, para não dizer irrealista.
O cético não se compromete; não quer acertar, é indiferente, e o faz para que não seja forçado a errar. Não comete nenhum mal que não aquele que sempre já foi perpetrado. Não provoca um novo Bem, tampouco um novo Mal. Se há uma tal coisa, não lhe cabe julgar, se assim o é, sempre o foi, é o que é, porque é como era quando ele aqui chegou.
O utopista vê o real, sente seu peso sobre os ombros, mas se dispõe sempre a vislumbrar o irreal. Seu senso de possibilidade lhe aponta ao futuro, desde onde está, com passado indisponível, mas joga-o mesmo é ao futuro, esse que lhe é como um totem daqueles que despertavam o pavor curioso e respeitoso do divino, nos primeiros homens.
O cético crê, claro que crê, mas só no que há, sem que seja preciso crer nesses totens insanos. Por fim, seu senso de realidade subjugou completamente seu senso de possibilidade.
Se há algo em que o cético não acredita, portanto, é no que não é. O ser cético não passa de uma crença profunda naquilo que já sempre se recebeu, quando aqui se chegou: a realidade. Como se esta fosse, por fim, assim tão crível...
Bem, quem critica quer, em suma, algo melhor. Algo que, portanto, não existe, pois que ainda não é. O que vem a ser, sempre é, assim, necessariamente irreal.
Mas se o real é tudo quanto há, se não pode haver algo diferente, que dependa de quem vive, se quem vive é parte do real sem que possa conhecer o que não é, não pode haver qualquer crítica. Pois toda crítica é uma crença absurda na fantasia, uma forma culto, ritual de amor ao intangível.
Coisa de místico, de doidão, por fim.
O idealista é o utopista. Como disse Musil, é aquele que tem, além de senso de realidade, o que é algo sem o que não se vive, senso de possibilidade. Ele imagina o que não é, mesmo vendo o que é, em toda parte. E, por isso, é chamado, muitas vezes, sonhador, idiota ou mesmo, apenas, utopista.
Ele é bem diferente do cético. Esse descrê na crítica e na sua possibilidade. É verdade que não pode nunca deixar de crer no real, os mais perspicazes já perceberam que, se negam o real, perdem sua condição de céticos. Então o que fazem é não se comprometer. Eles tem senso de realidade, mas vêem o que há somente como o que é, e como tudo. Não há melhor; nem pior; só o que há, do que são parte, sem que possam querer algo diferente, que seja exeqüível por sua vontade, isso tudo lhes parece sempre muito idealista, para não dizer irrealista.
O cético não se compromete; não quer acertar, é indiferente, e o faz para que não seja forçado a errar. Não comete nenhum mal que não aquele que sempre já foi perpetrado. Não provoca um novo Bem, tampouco um novo Mal. Se há uma tal coisa, não lhe cabe julgar, se assim o é, sempre o foi, é o que é, porque é como era quando ele aqui chegou.
O utopista vê o real, sente seu peso sobre os ombros, mas se dispõe sempre a vislumbrar o irreal. Seu senso de possibilidade lhe aponta ao futuro, desde onde está, com passado indisponível, mas joga-o mesmo é ao futuro, esse que lhe é como um totem daqueles que despertavam o pavor curioso e respeitoso do divino, nos primeiros homens.
O cético crê, claro que crê, mas só no que há, sem que seja preciso crer nesses totens insanos. Por fim, seu senso de realidade subjugou completamente seu senso de possibilidade.
Se há algo em que o cético não acredita, portanto, é no que não é. O ser cético não passa de uma crença profunda naquilo que já sempre se recebeu, quando aqui se chegou: a realidade. Como se esta fosse, por fim, assim tão crível...
